Lucena em dados



De acordo com estatísticas atuais, em média, 18 mil crianças são vítimas de violência doméstica por dia no Brasil. Os dados, apresentados pela Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na Infância (Sipani), representam 12% das 55,6 milhões de crianças menores de 14 anos. O perigo está mais próximo do que se imagina. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que 80% das agressões físicas contra crianças e adolescentes foram causadas por parentes próximos. Os tipos de agressão são bastante variados, sendo os mais comuns: violência física, psicológica e sexual. Corroborando com estes números, segundo o Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), de 1999 até 2007, foram registrados 28.840 casos de agressão física, 28.754 de violência psicológica e 16.802 de abusos sexuais em todo o país.

A realidade para as crianças nordestinas pobres pode ser ainda mais tóxica. Em Lucena essa problemática é agravada pela falta de projeto de vida, das parcas ofertas de trabalho e geração de renda, pela exclusão social na qual estão imersas as famílias.

Em abril de 2008, em parceria com a UFPB e o CEFET, a APÔITCHÁ deu início a um diagnóstico participativo realizado na Comunidade da Carrapeta, onde foram entrevistados 242 domicílios e visitados outros 74 (estes últimos caracterizamos como casas fechadas ou que rejeitaram responder o questionário). A pesquisa nos permite concluir que 30% dos moradores da Carrapeta são crianças, 15% – adolescentes, 22% – jovens, 26% – adultos e 6% – idosos. Segundo os dados deste diagnóstico participativo, 37% da população (a partir de 18 anos de idade) estão desempregados, 31% sobrevivem fazendo “biscate”, 11% são pensionistas e aposentados e, somente 21% afirmaram ter emprego assalariado. Sendo assim, apenas 32% da população possuem renda regular. Do total da população desta comunidade 38% tem renda inferior a um salário mínimo, 39% possui renda de 1 salário, 18% possui renda de até 2 salários e apenas 5% possui uma renda maior que dois salários mínimos.

Segundo os entrevistados, os principais problemas sociais vivenciados pela Comunidade são: droga (34%), falta de ocupação e renda (29%), violência (16%). Segundo estes, os grupos que mais sofrem violência são: crianças (24%), mulheres adultas (24%), meninos adolescentes (12%), meninas adolescentes (11%). Entre as principais causas de violência identificadas pelos entrevistados da Carrapeta, encontram-se: as drogas (34%), o alcoolismo (25%), a falta de trabalho (25%).

Segundo o PNUD (2000), o IDH de Lucena é 0,604 e a taxa de pobreza 54,30%. No ranking do Índice de Desenvolvimento Infantil, Lucena se encontra na posição 195 entre os 223 municípios paraibanos, com IDI de 0,360 (o índice da Paraíba é 0,504), o que evidencia uma situação preocupante para a infância e a juventude.

Lucena possui 32% de analfabetismo, segundo dados do IBGE (2000). Comparando com as médias nacionais e estaduais, os dados fornecidos pelo MEC são ainda mais preocupantes:

Analfabetismo – pessoas com 15 anos ou mais (Fonte: MEC / INEP – 2000)

Brasil – 13,6

Nordeste – 26,2

Paraíba – 29,7

Lucena – 34,5

Distorção idade-série no Ensino Fundamental (Fonte: MEC / INEP – 2004)

Brasil – 31,5

Nordeste – 45,6

Paraíba – 50,9

Lucena – 60,3

Abandono no Ensino Fundamental (Fonte: MEC / INEP – 2005)

Brasil – 7,5

Nordeste – 12,3

Paraíba – 15

Lucena -15

Apesar do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de Lucena ter elevado significativamente em 2008, a ponto de ter conseguido atingir ainda neste mesmo ano, a meta estabelecida pelo MEC para o município alcançar em 2010, a verdade é que a população adulta de Lucena ainda encontra-se imersa em um grande quadro de analfabetismo. Além disso, 91% dos entrevistados afirmaram não ter qualificação técnico-profissional para desempenhar qualquer tipo de função ou atividade. Estes são dados que corroboram para aumentar as desigualdades e precisam ser superados para que possamos promover desenvolvimento local e a proteção integral de crianças e adolescentes.

Outro dado do diagnóstico participativo que nos chamou atenção foi o fato de que, quando indagada sobre a existência de grupos culturais nesta comunidade, 73% das(os) entrevistadas(os) responderam que não conheciam qualquer manifestação cultural local, o que nos leva a apontar a necessidade de resgatar estas manifestações como elementos importantes na ressignificação da memória e da identidade e apoiar grupos culturais, como os de coco de roda, que estejam desarticulados e sem incentivo para dar continuidade às suas atividades, como também ajudá-los a registrarem e divulgarem seus trabalhos.

A cidade de Lucena, ainda hoje, NÃO POSSUI um espaço físico, público ou privado, capaz de abrigar atividades culturais, artísticas, de lazer, de esportes, nem tão pouco para abrigar atividades de formação continuada ou feiras temáticas de grupos de produção, que atraiam para o município outras parcerias de organizações afins. A falta deste espaço foi apontada pela Comunidade da Carrapeta, durante o diagnóstico participativo, como um entrave para o desenvolvimento local e para a proteção da infância e juventude.



     
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